Rio Negro
O Rio Negro é o maior rio de água preta do mundo e é o segundo maior em volume de água – atrás somente do Amazonas, do qual é afluente. 81% de sua extensão está no Brasil, 11% na Colômbia, 8% na Venezuela e uma pequena extensão na Guiana (1,7% do total). Somente após passar por Manaus, unindo-se ao rio Solimões é que passa a chamar-se rio Amazonas.
O Rio Negro percorre cerca de 1.700 km e o fluxo de água que passa por seu leito é maior do que todos os rios europeus reunidos. Em certos trechos tem quilômetros de largura e mais de mil ilhas que se agrupam em dois arquipélagos: Anavilhanas, próximo de Manaus, e Mariuá, no médio Rio Negro, na região de Barcelos. Ambos são os maiores arquipélagos fluviais do mundo.
Os rios de água preta apresentam coloração escura devido à presença de grandes quantidades de substâncias orgânicas dissolvidas. Tais substâncias são provenientes da decomposição de restos vegetais nos solos arenosos.
O denso e contínuo dossel de copas da floresta é a mais eficaz proteção do solo contra erosão. O baixo PH do solo evita que insetos se proliferem, por isso quase não há mosquitos na região. A flora do rio Negro é composta por arbustos, ervas terrestres, cipós, epífitas (plantas que vivem em cima de galhos ou tronco de árvores sem ligação com o solo), hemiepífitas (plantas que vivem em cima de galhos ou tronco de árvores e em algum momento de suas vidas possuem ligação com o solo) e árvores. As árvores são grandes, normalmente com um tronco único levando a copa até o dossel e podem servir de abrigo para outras formas de plantas (cipós e epífitas). As árvores chamadas de emergentes são aquelas que se destacam das outras por serem bem maiores que a maioria. Entre elas destacam-se a Samaúma, a Castanheira, o Mogno e o Angelim.
Trata-se de uma região amazônica cuja unidade socioambiental – bacia hidrográfica habitada e manejada tradicionalmente por um conjunto de povos – apresenta enorme diversidade. A maior parte da região é constituída por terras indígenas e unidades de conservação.
Parque Nacional de Anavilhanas
O complexo de mais de 400 ilhas com centenas de lagos e paranás que formam a famosa região de Anavilhanas fica entre os municípios de Manaus e Novo Airão. Em função de sua grande biodiversidade, em 1981 o arquipélago foi elevado à categoria de Estação Ecológica. A partir de então, faz parte de um grupo de Unidades de Conservação localizadas no baixo rio Negro. No entanto, em 2009, foi transformado em Parque Nacional, onde a visitação é permitida com restrições. Anavilhanas é o segundo maior arquipélago fluvial do mundo, perdendo somente para o Mariuá que também fica no rio Negro, próximo à cidade de Barcelos.
A formação das ilhas se dá pela floculação – sedimentação das partículas do Rio Branco – que ocorre por milhares de anos. As partículas mantêm-se em constante movimento já que os ciclos das enchentes e vazantes causam um processo constante de sedimentação e erosão nas ilhas que se movimentam ao longo do tempo.
As ilhas abrigam espécies ameaçadas de extinção como onça pintada, gavião-real, pirarucu e macaco-aranha. Hospeda também espécies endêmicas (existentes somente naquela região) como, por exemplo, o cachorro-vinagre. Outra curiosidade é que somente lá é possível encontrar todas as espécies de jacaré da Amazônia. Outros atrativos das ilhas são o macaco guaribas, o macaco-de-cheiro, o bicho-preguiça e a cutia.
Parque Nacional do Jaú
Criado em 1980, o Parque Nacional do Jaú é o maior Parque Nacional do Brasil e o maior Parque do mundo em floresta tropical úmida contínua e intacta. Está localizado nos municípios de Novo Airão e Barcelos, a 220 km de Manaus em linha reta. Sua denominação deriva de um dos maiores peixes brasileiros, o Jaú (do tupi, ya’ú), que também cede seu nome ao principal rio do Parque*. É um Sítio do Patrimônio Natural da Humanidade (Unesco, 2002) e faz parte do Corredor Ecológico Central da Amazônia.
Apesar da longa distância, a visita ao Parque é extremamente gratificante. A variedade de passeios que podem ser feitos lá é impressionante: desde a observação da flora e da fauna, até banhos em corredeiras ou praias e visita a casa dos moradores locais. Os diversos petróglifos existentes nas ruínas do Velho Airão demonstram que a ocupação da região pelo homem acontecia há bastante tempo.
A vegetação é composta por floresta primária, vegetação de igapó, campinaranas, buritizais, capoeiras e vegetação de campina. Assim como em Anavilhanas, o Jaú possui diversas espécies ameaçadas de extinção, além de inúmeros anfíbios, repteis, pássaros aquáticos, ariranhas, macacos e muito mais.
*Fonte: IBAMA